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QUESTIONAMENTO I PDF Imprimir E-mail
Escrito por Nilda de Assis Candido*   
Sex, 25 de Novembro de 2011 18:20
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 * Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo         
 O questionamento que proponho a partilhar surge de um passeio realizado no final de semana, quando vi grupos de adolescentes e jovens aglomerados em uma praça. Próximos a eles, um jovem disse estavam vendo e praticando sexo a céu aberto. pelo que percebi nos rostos de alguns jovens era um momento de diversão e entretenimento. Próximo ao local um jovem volta-se a mim e começa a falar sobre seus conflitos, justamente sobre sua sexualidade, suas experiências com homens e mulheres e de seus sonhos confusos de uma vida melhor.

 

Um cenário propício à reflexão. Diante da busca por descobertas ou prazeres, adolescentes e jovens cada vez mais se expõem na direção de seus desejos de experimentar as sensações corpóreas, se deixarem tocar, sentir prazer envolto em seu grupo; um instante de entusiasmo e sair de si, não importando onde e como.

Diante disto, Guacira escreve sobre a existência de “muitas forma de fazer-se mulher ou homem. As várias possibilidades de viver prazeres e desejos corporais são sempre sugeridas, anunciadas, promovidas socialmente e hoje possivelmente de formas mais explícitas do que antes”1. Vale lembrar as mais comuns na atualidade, as formas de sentir e expressar o prazer seja por bailes funk's com coreografias sensuais, atos sexuais públicos em praça ou estacionamento espalhados pela cidade, relações privadas expostas ao público. Diante de tal situação, a memória das festas dionisíacas em praça pública não deixam de fazer-se presente, uma vez que o mote destas eram a alegria e o prazer.

No entanto, questiono: será que nas festas dionisíacas, dentre tantos, havia aqueles e aquelas se questionando sobre direção/opção sexual? Difícil saber. Hoje, porém, nos encontros juvenis, há esse questionamento. Pois, em meio ao encontro na praça e a reunião de jovens em sua alegria de viver o instante ávido do mundo, encontro um rapaz de beleza notória, buscando a compreensão de si, sobre os porquês de seus sentimentos de prazer e afeto. A única coisa, talvez inusitada é o fato de a conversa ter acontecido com uma estranha de passagem. Volto a observar: entre tantos ali ainda falta quem possa estar disposto a ouvir, simplesmente ouvir, pois este diálogo não será mais retomado por mim, mas quem sabe por outro que queira conceder seu tempo em ouví-lo.

Diante desse cenário de entretenimento e conflito, não me escapa o olhar de educadora, pois ser educadora é sê-lo em tempo integral. Assim volto o olhar para as seguintes observações e questionamentos: distante do universo jovem atual, quando nos aproximamos nos damos conta do quanto podemos ampliar nossa visão; torna-se possível adentrar em ambientes novos ou com nova roupagem criados por eles e elas. Entretanto, ao ver e estar neste universo juvenil que nos cerca, e nos darmos conta das diversas possibilidades existentes que este olhar nos permite, até que ponto – ou como – o saber sobre os diversos universos criados por jovens em busca de sua liberdade de expressão e sexual existentes pode aferir em nossas vidas como educadores? Estamos mesmo próximos dos jovens e de seu universo juvenil? Ou estamos apenas impondo modelos antigos aos jovens? O que nos trava diante de tanto mudança?

Estes questionamentos buscam dar continuidade à reflexão posta. Talvez não do anseio de se obtiver respostas fechadas, mas de ir mais longe, instigar a entender, a ver o quanto podemos alcançar como educadores, mesmo que seja apenas um passeio de final de tarde de domingo.

 

1 GUACIRA, Lopes Louro. O corpo educado: pedagogias da sexualidade /

(organizadora) Tradução dos artigos: Tomaz Tadeu da Silva — Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

176p.

Última atualização ( Sex, 25 de Novembro de 2011 18:31 )
 

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