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Bioética. Você sabe o que é? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcia Avelino*   
Dom, 13 de Fevereiro de 2011 23:53
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Autora: Marcia Avelino*

               Existem várias compreensões para o termo bioética. A mais sucinta a define como a ética da vida. Outra, mais completa, como um conjunto de pesquisas, discursos e práticas cuja finalidade é auxiliar na resolução de dilemas éticos suscitados, principalmente, pelos avanços da tecnologia.

Geralmente, ouvimos termo bioética acompanhar a narrativa de casos polêmicos como o aborto, a eutanásia, clonagem, o uso de células tronco, transplantes e uma série de outras situações relacionadas à rotina biotecnológica. Por isso, por vezes, a bioética tem sido compreendida como uma área de estudos que auxilia os profissionais nas decisões de casos hospitalares complexos.

Entretanto, a bioética também tem sua prática garantida em nosso cotidiano mais comum e variado: nossas atitudes diárias pedem uma reflexão em par com a bioética, na medida em que somos seres em relação. Assim, o modo como usufruímos os recursos naturais, o lugar aonde dispensamos nosso lixo, e como o fazemos, a forma como nos relacionamos cotidianamente com as outras pessoas, são alguns dos temas que também exigem uma reflexão altruísta e holística, e coincidem com a proposta da bioética.

Desse modo, sua definição genérica abraça as situações diversas. Mas para Giovani Berlinguer, as primeiras situações – diretamente relacionadas à vida e morte – podem ser classificadas como bioética de fronteira, pois trata de questões limites. Já as demais, apesar de exercerem influências sobre a vida, o fazem de forma indireta, e são por ele classificas como bioética cotidiana.

O verbete bioética foi utilizado pela primeira vez em 1971 pelo médico oncologista e pesquisador Van Rensselaer Potter (1911 - 2001). Na ocasião sua intenção era denunciar a destruição das condições de existência da vida, pelo modo como se dá o progresso científico e tecnológico: estranha à discussão axiológica. Potter sustentou que

 

[...] a separação feita na filosofia moderna entre, por um lado, a ciência e a tecnologia (que tratam de fatos) e, por outro, a ética (que cuidaria dos valores), era a culpada pelos desastres que estavam ameaçando a vida sobre o nosso planeta, incluindo os ecológicos. Assim ele pensou a bioética como a “ciência da sobrevivência” (DALL’AGNOL, 2005, p.11).

 

Assim, a bioética tem, em sua gênese, o objetivo claro de repensar a vida em toda a sua extensão de modo holístico, sendo necessário, para tanto, um caminhar junto entre ética e ciência.

Eventos como as experiências com humanos realizadas nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial e o famoso caso TusKegee, levaram o Congresso norte-americano a criar uma comissão para identificar os princípios morais que deveriam nortear as experimentações com humanos, embora uma prévia desta resolução já tivesse sido estabelecida pelo Código de Nuremberg. O resultado deste trabalho, conhecido como Relatório de Belmont, foi divulgado em 1978.e é um dos principais documentos da bioética, servindo, inclusive como inspiração do enfoque principialista desenvolvido posteriormente por Beauchamp e Childress, cuja proposta apresentamos adiante em outros momentos.

Desde então, a bioética tem se desenvolvido, sobretudo nas áreas científicas relacionadas à vida humana, apesar de sua aplicabilidade não limitar-se a tal, uma vez que pensa a vida de modo holístico. A bioética é hoje uma crescente área de conhecimento, mas que mantém uma discussão multidisciplinar. Existe em todo o mundo uma movimentação que garante à bioética um espaço na discussão sobre avanços tecnológicos e a preservação da dignidade humana. Apresentaremos, nas próximas semanas, alguns pontos importantes no percurso da bioética, desde então, que, além de melhor dizer a bioética, servirão de apoio na discussão de casos pontuais que citamos no início do texto.

 

*Filósofa Clínica em formação pelo Instituto Interseção (SP), possui Licenciatura plena em Filosofia (2008) e Especialização em Bioética e Pastoral da Saúde, ambas pelo Centro Universitário São Camilo (SP). Atualmente ministra aulas de Filosofia na educação básica do Colégio São Camilo Cardeal Motta (Fundamental I e Ensino Médio) e na rede pública estadual (Ensino Médio). Tem experiencia em Filosofia com enfase em Filosofia, atuando principalmente sobre os seguintes temas: Bioética e Educação.

 

Referências

 

DALL’ AGNOL, D. Bioética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 2005 (Filosofia passo a passo).

 

PESSINI, L; BARCHIFONTAINE, C. P. Problemas Atuais de Bioética. 8ª Ed. rev. ampl. São Paulo: Centro Universitário São Camilo: Loyola, 2007.

Última atualização ( Sáb, 16 de Julho de 2011 01:11 )
 

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